Gestão de riscos: como mapeá-los para aumentar a eficiência na tomada de decisão

Gestão de riscos: como mapeá-los para aumentar a eficiência na tomada de decisão

Dentre tantas atividades e prioridades do executivo, uma delas é estar atento aos movimentos do mercado, aos projetos e resultados internos e, diante de qualquer cenário, pensar em como gerenciar riscos nas organizações. Quando o gestor não acompanha de perto os processos, a performance da equipe, os avanços e os indicadores, a empresa fica vulnerável. Um dos caminhos mais é mapear os riscos, constantemente, considerando as variáveis de mercado e visualizando os possíveis cenários na tentativa de blindar a empresa e aumentar a eficiência na tomada de decisão, protegendo-a de possíveis impactos negativos.

Na história recente do Brasil, a petroleira OGX, do ex-bilionário Eike Batista, foi uma das empresas que enfrentou uma derrocada, um movimento que quase a levou à falência. Uma das razões para este desfecho foi a fragilidade na gestão de riscos. O desencontro entre realidade, expectativas e execução da soluções levou a OGX a viver essa decadência.

Em 2013, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial, e em 2014 apresentou um plano de recuperação. Em 2015, a OGX já estava bem mais perto de falir porque não havia tido sucesso na execução das propostas incluídas no plano. Ao enfrentar tantas dificuldades, demandas e tomadas de decisão, com uma gestão de risco focada na solução, o empresário conseguiu manter a OGX atuante.

Em dezembro de 2016, Eike foi convocado, mais uma vez, para prestar esclarecimentos à justiça. Como os executivos e profissionais do grupo não tiveram sucesso nas tentativas de aumentar a eficiência na tomada de decisão e a gestão de riscos, o resultado é uma bola de neve de dificuldades que a OGX tenta eliminar até hoje.

O case da OGX mostra que o desafio maior é focar os esforços não apenas no desenvolvimento da empresa, mas, principalmente, na sua sustentabilidade.

Essa é mais uma das prioridades do executivo: garantir um ritmo de crescimento constante, pensando em como gerenciar riscos nas organizações. E para construir uma política de gestão de riscos é preciso também manter a equipe focada no propósito da empresa e aumentar a eficiência na tomada de decisão.

# Como definir riscos e por que gerenciá-los?

Em sua origem, risco, do latim ‘riscu’, significa ousar. O risco indica a possibilidade de “algo não dar certo”, de modo que seu conceito requer a quantificação e qualificação da incerteza no que diz respeito às “perdas” e aos “ganhos” em relação às atividades planejadas. Se é inevitável enfrentar o risco, é possível, sim, aprender a administrá-lo, maximizar as oportunidades e tentar, sempre, evitar as perdas. Para um desempenho superior, o gestor deve aprender como gerenciar os riscos nas organizações.

Todos os riscos são preocupantes, mas aqueles desconhecidos têm potencial de provocar impactos inesperados e, na maioria das vezes, negativos. A falta de um  mapeamento minucioso e de uma boa gestão de riscos na organização aumenta a probabilidade do gestor se deparar com situações imprevistas e resultados não tão positivos. Daí, a importância da empresa ter um processo de gerenciamento de riscos bem definido que, além da segurança da equipe e da sustentabilidade da empresa, também seja capaz de agregar valor ao negócio.

# Como fazer a classificação de riscos?

A organização deve ter em sua estrutura: mapeamento de riscos, rotinas e práticas coerentes e controle dos processos. Para tanto, é fundamental ter uma equipe capaz de trabalhar focada na análise e no gerenciamento  de riscos. O primeiro passo é conhecer as quatro dimensões de riscos corporativos aos quais a sua empresa está exposta para pensar, então, em como gerenciar os riscos nas organizações.

  • Risco de Mercado 

    É uma medida numérica da incerteza relacionada aos retornos esperados de um investimento, em decorrência de variações em fatores como taxas de juros, taxas de câmbio, preços de ações e commodities. Esta dimensão tem sub-áreas de risco, tais como:

    • Taxas de Juros;
    • Taxas de Câmbio;
    • Commodities;
    • Ações;
    • Liquidez;
    • Derivativos, entre outros.

Por exemplo, se uma empresa administra, diariamente, seu ativo-passivo, aplicado em papéis pré-fixados ou pós-fixados, está sujeita a diferentes variações no seu patrimônio  pautadas, essencialmente, pelas variações nas taxas de juros. É possível ampliar o patrimônio, mas também perder em pouco tempo.

  • Risco Operacional

    É uma medida das possíveis perdas em uma instituição caso seus sistemas, práticas e medidas de controle não sejam capazes de resistir a falhas humanas ou situações adversas de mercado. São sub-áreas como:

    • Overload;
    • Obsolescência;
    • de Presteza e Confiabilidade;
    • de Equipamento;
    • de Erro Não Intencional;
    • de Fraude;
    • de Qualificação;
    • de Produtos & Serviços, entre outros.

Por exemplo, uma empresa pode ficar mais vulnerável se uma das suas unidades de negócio toma decisões estratégicas e operacionaliza ações, sem consultar antes a direção administrativa do grupo.

  • Risco de Crédito

    É uma medida das possíveis perdas em uma instituição caso um participante do contrato, ou um emissor de dívida, venha a sofrer com alterações na sua capacidade de honrar suas obrigações. São seis sub-áreas:

    • Inadimplência;
    • Degradação de Crédito;
    • Degradação de Garantias;
    • Soberano;
    • Global Risk Management;
    • Financiador;
    • de Concentração (crédito).

É possível, por exemplo, que uma empresa não tenha condições de fazer os pagamentos de uma debênture, títulos de dívida de longo prazo.

  • Risco Legal

    Pode ser definido como uma medida das possíveis perdas em uma instituição caso seus contratos não possam ser legalmente amparados por falta de representatividade e/ou autoridade por parte de um negociador, por documentação insuficiente, insolvência ou ilegalidade. São três sub-áreas:

    • Riscos Legislação;
    • Tributário;
    • de Contrato.

Por exemplo, uma empresa participante da negociação pode não ter a autoridade legal ou regulatória para se engajar em uma transação.

# O real valor do gerenciamento de riscos

O gerenciamento de riscos é um processo dinâmico, contínuo e indispensável para uma gestão de sucesso. Uma das prioridades do executivo (e da sua equipe) é entender como gerenciar os riscos nas organizações: é preciso que líderes e profissionais tenham competência para diagnosticar, priorizar, monitorar e gerir os riscos, levando em conta as variáveis internas e externas. Ao analisar o contexto e se antecipar, prevendo possíveis cenários, os gestores e profissionais blindam a empresa, protegendo-a de riscos desconhecidos ou não controlados.

O caminho é mapear e avaliar o cenário e os detalhes, para estar sempre à frente e ter condições de construir um plano para a mitigação de todo os riscos identificados. Novos planos e oportunidades, menos impacto e mais crescimento.

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